
Hoje, quero apresentar a vocês essas mulheres incríveis que vivem dentro de nós. Juntos, vamos descobrir quem está no comando da sua vida agora e como você pode convidar outros a se juntarem à dança.
Os 7 Arquétipos de Deusas Gregas: Um Mapa do Sagrado Feminino na Sua Alma
Hoje, mergulharemos em um dos mapas mais antigos e eficazes para o autoconhecimento feminino: os arquétipos das Deusas Gregas, popularizados pela psicóloga junguiana Jean Shinoda Bolen.
Reconhecer qual deusa está ativa em você é descobrir seu superpoder e também o seu maior desafio.
Dividimos essas forças em três categorias:
1. As Independentes: Deusas que São Suficientes em Si Mesmas (As Deusas Virgens)
Primeiro, vamos falar daquela força dentro de você que é completa em si. Elas são as “deusas virgens”, e esse “virgem” significa que a alma delas não pertence a ninguém. Elas não precisam de um homem, de um filho ou de um chefe para se sentirem validadas. Seu foco está no próprio mundo, na sua missão.
Héstia: A Guardiã do Fogo Interno
E aquela voz calma que te chama para dentro? Que encontra paz no silêncio, na meditação, ou simplesmente organizando a casa e tornando tudo aconchegante? Esta é Héstia. Ela é a deusa da lareira, do centro sagrado. Ela nos ensina que o nosso lar (tanto interno quanto externo) é um templo. É a energia que nos permite sentir inteiras sem fazer nada, simplesmente sendo. Ela é a sábia anônima, a presença que acalma.
- Seu Desafio: É não se perder em seu mundo interno a ponto de se tornar invisível. Héstia precisa das outras deusas para trazê-la ao mundo, para dar voz à sua imensa sabedoria.
Ártemis: A Mulher Selvagem
Sabe aquela parte de você que anseia por liberdade, que se sente mais viva na natureza, que defende ferozmente o que acredita? Esta é Ártemis. Ela é a “Mulher que Corre com os Lobos” de Clarissa P. Estés. Ela incorpora o instinto puro, a capacidade de focar em um objetivo e persegui-lo. É a energia da ativista, da viajante solitária, da mulher que forma laços profundos de irmandade com outras mulheres. Ela te ensina a dizer “não”, a marcar seu território e a confiar no seu corpo.
- Seu Desafio: Em sua fúria protetora, pode se tornar inacessível, fria e desconfiada da intimidade. Precisa aprender que ser vulnerável não é fraqueza.
Atena: A Estrategista
Agora, pense naquela sua parte super racional, que ama um plano, uma planilha, um debate inteligente. Esta é Atena. Ela é a deusa da sabedoria e da estratégia, a mulher que brilha no mundo patriarcal porque sabe jogar o jogo. É a executiva, a acadêmica, a advogada. Ela te confere clareza, lógica e a capacidade de resolver problemas complexos.
- Seu Desafio: Ela vive na cabeça. Pode se desconectar tanto do corpo e das emoções que acaba caindo no que Naomi Wolf chama de “Mito da Beleza”: a busca pela perfeição externa e pelo desempenho impecável, esquecendo de nutrir a deusa vulnerável que também reside nela.
2. As Conectadas: Deusas Definidas por Seus Relacionamentos (As Deusas Vulneráveis)
Agora, falaremos das deusas cujo superpoder é a conexão. Elas são chamadas de “vulneráveis” porque sua felicidade e dor estão profundamente ligadas aos seus relacionamentos mais importantes. Elas nos ensinam sobre amor, cuidado, lealdade e também sobre as feridas que só as relações podem abrir.
Hera: A Rainha do Compromisso
Você sente um desejo profundo de ter uma parceria para a vida toda? De construir um “reino” em conjunto? Esta é Hera. Ela é a deusa do casamento, mas não de forma submissa. Ela anseia por um parceiro digno dela, um rei para a sua rainha. Sua força é a lealdade absoluta, a capacidade de sustentar um voto sagrado.
- Seu Desafio: É o que Melody Beattie explora em “Liberta-te da Codependência”. Quando a parceria se torna a única fonte de identidade, a dor da traição ou do abandono pode se transformar em raiva e ciúmes destrutivos. A jornada de cura de Hera é aprender a ser a Rainha do seu próprio reino primeiro.
Deméter: A Grande Mãe Nutridora
E aquela parte de você que sente um prazer imenso em cuidar, nutrir e ver os outros crescerem e florescerem? Essa é Deméter. Ela é o arquétipo da mãe, mas vai muito além de ter filhos. É a professora, a terapeuta, a chefe que desenvolve a sua equipe. Ela é a generosidade em forma humana. Ela nos conecta aos ciclos da vida, como Miranda Gray nos ensina em “Lua Vermelha”: plantar, nutrir, colher e soltar.
- Seu Desafio: É aprender a nutrir a si mesma. Deméter pode se esgotar cuidando de todos e se esquecendo de si. E quando o ninho está vazio, pode cair em depressão se não encontrar novas formas de exercer sua generosidade, a começar por si.
Perséfone: Guia do Mundo Interno
Perséfone é a deusa que conhece a luz e a escuridão. Ela é a donzela (Kore) que um dia é “sequestrada” para o mundo subterrâneo. Todos nós temos nossas descidas ao submundo: uma perda, uma depressão, uma crise. Perséfone representa nossa capacidade não apenas de sobreviver a essas experiências, mas de nos tornarmos Rainhas daquele lugar. Ela é a médium, a psicóloga, a artista que transita entre os mundos. Ela entende a linguagem dos sonhos e da alma.
- Seu Desafio: É não permanecer presa no papel de vítima (a donzela sequestrada), mas abraçar seu poder como Rainha. É usar a sabedoria adquirida na escuridão para guiar a si e aos outros com compaixão e força.
3. A Alquimista: A Força que Transforma
Afrodite: A Deusa do Amor, Beleza e Sexualidade Sagrada
E por fim, temos Afrodite. Ah, Afrodite! Ela não é nem virgem, nem vulnerável, é as duas e nenhuma. Ela é a própria força da vida, a energia criativa, o amor que gera beleza. É a paixão que faz você iniciar um projeto de arte, a atração magnética entre duas pessoas, o prazer de saborear uma boa comida. Ela é a “Deusa que Respira”, a sexualidade sagrada que nos lembra que somos seres de prazer.
- Seu Desafio: É que a paixão de Afrodite pode ser volátil. Se não for integrada com a profundidade de Perséfone ou o compromisso de Hera, pode se tornar uma busca superficial por estímulos. A cura de Afrodite é aprender a canalizar sua imensa energia criativa para algo que perdure.

Toda mulher é um panteão de deusas.
Conselho Interno das Deusas
O objetivo não é escolher uma única deusa e encarnar somente ela. O objetivo é ter um conselho saudável e funcional de deusas dentro de você. É saber que, quando você precisa de foco para terminar uma tarefa, pode invocar sua Atena. Quando você precisa estabelecer um limite em um relacionamento, sua Artemis interior lhe dará força. Quando você deseja se conectar profundamente com seu parceiro, é Hera quem intervém. E quando você precisa de silêncio e paz, Héstia está lá, cuidando do seu fogo interior.
Esta é a verdadeira jornada do autoconhecimento feminino: sentar-se à mesa com todas essas partes de si mesma, ouvir o que cada uma tem a dizer e, como uma rainha sábia, decidir qual delas guiará seus próximos passos. Todas elas são você. Todas elas são sagradas.

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