
Em nosso artigo anterior, exploramos a visão de Amor de Kahlil Gibran—uma força que tanto nos coroa quanto nos crucifica para podar nosso ego. Mas como essa força transformadora pode ser mantida viva dentro da estrutura mais íntima e desafiadora da vida humana: Casamento?
A sociedade frequentemente nos ensina que o casamento é uma fusão, a perda da individualidade, o famoso “tornar-se uma só carne”. No entanto, para Gibran, essa visão é a raiz da maior parte do sofrimento conjugal.
O profeta Almustafa nos entrega um segredo de beleza e liberdade para a vida a dois. Neste artigo, exploramos a chave para uma união duradoura e gratificante: a manutenção da sua totalidade.
1. O Segredo dos Pilares: União na Distância
Gibran é ao mesmo tempo radical e poético ao descrever o espaço essencial no casamento:
“Fiquem juntos, mas não muito perto um do outro: Pois os pilares do templo ficam apartados, e o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro.”
A Força da Individualidade
Essa metáfora é o pilar da nossa reflexão. As colunas não se tocam, mas sustentam o mesmo teto. O casamento não é um abraço sufocante, mas uma parceria que sustenta um lar e um propósito comum. Se as colunas se fundissem, o templo colapsaria.
A força do relacionamento reside na força de cada indivíduo. Se você se anula para se encaixar no outro, sua coluna se enfraquece e toda a estrutura é comprometida.
Enchendo o Copo, Bebendo Sozinho
O profeta reforça essa ideia com a imagem dos copos:
“Encham a taça um do outro, mas não bebam de uma só taça. Dêem um ao outro do seu pão, mas não comam do mesmo pão.”
O verdadeiro amor é um ato de generosidade e complementaridade. Você oferece o melhor de si (encher o copo), mas mantém sua fonte de nutrição interna (beber do seu próprio copo).
- Enchendo o copo: Compartilhando alegria, apoio e cuidado.
- Beber da sua própria xícara: Manter seus próprios passatempos, amigos, espiritualidade e autoconhecimento.
2. A Dança: Ritmo e Espaço no Relacionamento
O casamento, então, torna-se uma dança, não uma corrente.
“Dancem juntos e sejam alegres, mas que cada um de vocês esteja sozinho…”
Podemos complementar essa visão com a sabedoria de Mário Sergio Cortella, que nos lembra que a vida a dois deve ter ritmo:
- Não Fusion, mas Harmonia: Fusion anula a melodia. Harmonia permite que duas melodias distintas (duas vidas) soem lindas juntas.
- A Dança e a Alma: Na dança, há um momento para se aproximar e um momento para rodopiar sozinho. É essa alternância que cria a beleza do movimento. O mesmo se aplica ao casamento: o tempo gasto sozinho nutre a alma para que o tempo passado juntos se renove e seja vibrante.
A grande lição é que a união é mais forte quando a liberdade de ir e vir é mantida.
3. O Perigo da Posse e a Lição do Desapego
O medo da perda leva muitos casais a posse, tratando o parceiro como um objeto do qual podem “beber do mesmo copo” até que ele se esvazie.
Gibran já nos alertou no artigo sobre o Amor que ele “não possui nem seria possuído.” No casamento, a luta contra o ego (a crucificação) se manifesta na renúncia ao ciúme e ao controle.
Se você usar seu parceiro para preencher seus próprios vazios existenciais, você impede que ele se torne uma coluna forte e, ironicamente, enfraquece sua própria casa.
O casamento, portanto, é a prática diária de:
- Honrando a individualidade do outro.
- Nutrir sua própria alma (sua taça).
- Curvando-se à dança, sabendo que girar sozinho é tão importante quanto encontrar-se em conjunto.
Conclusão: O Casamento como o Início de uma Jornada Livre
O casamento, na visão de Kahlil Gibran, é uma das mais elevadas terapias holísticas para a alma. Não nos dá segurança, mas exige maturidade para amar o que é livre. Não nos nega, mas nos força a sermos mais inteiros para sustentar a união.
Ao manter o espaço entre os pilares e honrar as copos individuais, o casal se torna a base sólida e consciente para a próxima etapa da jornada. Uma parceria livre é a única parceria capaz de lidar com a maior lição de desapego que a Vida nos reserva.
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