Alegria e Tristeza: O Entalhe Sagrado da Tua Alma

No nosso Mapa Mental da Alma, já percorremos os caminhos do Amor, dos Filhos e do Trabalho. Mas como manter a integridade quando as águas das emoções oscilam? Para Kahlil Gibran, a alegria e a tristeza não são opostas, mas sim as duas faces de uma mesma moeda.

Neste artigo, vamos mergulhar na filosofia profunda da Lúcia Helena Galvão, unindo-a à Constelação Familiar, ao Sagrado Feminino e às leis universais do Caibalion, para entender que o poço que hoje te traz lágrimas é o mesmo que, amanhã, transbordará o teu riso.

1. O Feminino e a Superfície de Contato

Na obra, é uma mulher quem pergunta sobre a alegria e a tristeza. Na nossa jornada pelo Sagrado Feminino, compreendemos que a mulher possui uma “superfície de contato” emocional muito sensível. Regidas pela Lua, as nossas emoções são marés.

Muitas vezes, buscamos o “príncipe”, o idealismo, o amor cortês, e chocamo-nos com a dureza do mundo materialista. Essa “instabilidade” que o mundo aponta é, na verdade, uma profunda capacidade de sentir. O mesmo tanto que machuca, é o mesmo tanto que pode amar. A dor no feminino não é uma fraqueza, é o exercício da paciência e da continuidade, como a força de uma mãe que sustenta a dor para dar à luz a vida.

2. A Analogia do Entalhe: Da Faca à Música

Gibran utiliza duas imagens poderosas:

  • A Taça: A taça que contém o teu vinho é a mesma que passou pelo fogo purificador do oleiro.
  • A Lira: A madeira que acalma a tua alma com música é a mesma que foi talhada a facas.

O Insight Sistémico: Na Constelação Familiar, observamos que os destinos mais difíceis no nosso sistema são, muitas vezes, o “entalhe” necessário para que a alma ganhe profundidade. Sem a faca, a madeira é apenas um tronco bruto; com o entalhe, torna-se um instrumento musical. A tua dor está a preparar o teu ser para conter uma oitava acima de alegria.

3. A Criança Interna e o Pêndulo do Caibalion

Lúcia Helena Galvão recorda-nos o princípio da neutralização do Caibalion: se queres fugir do conflito de um degrau, tens de subir para o próximo.

A nossa Criança Interna vive como um pêndulo: ora em euforia histérica, ora em depressão profunda. Ela precisa de plateia. Quando te identificas apenas com a tua “geografia terrestre” (a tua personalidade, os teus traumas e carências), serás sempre um joguete das circunstâncias.

“Quando olhas para as situações com os Olhos da Justiça e não com os Olhos do Desejo, tu sais do degrau da briga pelo ‘ursinho’ e alcanças a lucidez do Ser.”

4. O Guarda do Tesouro e o Peso da Tua Prata

Gibran diz que estamos suspensos como pratos de uma balança e que só estamos em equilíbrio quando estamos vazios.

  • Vazio Materialista: Falta de coisas.
  • Vazio Espiritual: Plenitude e desapego. Estar livre das expectativas do ego.

Quando o “Guarda do Tesouro” (a Lei Divina ou o momento da nossa grande transição) nos suspender para pesar o nosso ouro e a nossa prata, ele não pesará os nossos momentos de prazer fugaz ou de vitimização. Ele pesará o nosso Aporte: o que acrescentaste ao mundo? O teu talento foi multiplicado (como na Parábola da Bíblia) ou enterrado por medo da dor?

5. O Café dos Sábios e o Sono dos Justos

Imagine que um dia, num plano de sabedoria, sentaremos para tomar um café e conversar sobre as nossas vidas passadas. Falaremos das nossas personalidades atuais como quem recorda uma roupa velha que serviu para um propósito.

A verdadeira alegria é o sentimento do dever cumprido. É o “sono dos justos”: colocar a cabeça no travesseiro e saber que, naquele dia, serviste e aprendeste. Que foste um ser humano digno, independentemente de teres comido ou não o “chocolate” da satisfação imediata.

Comentários

Deixe um comentário

Assinar

Digite seu e-mail abaixo para receber atualizações.