Muitas vezes, olhamos para o céu e sentimos uma conexão inexplicável com a Lua, mas raramente paramos para entender que carregamos um céu inteiro dentro de nós. O ciclo menstrual não é apenas um evento biológico; ele é um oráculo pessoal, uma bússola que aponta para onde a sua energia vital está sendo convocada a servir.
Na visão da Psicanálise, o ciclo menstrual é o ritmo constante entre o ego e o inconsciente. Quando falamos das Luas Branca e Vermelha, estamos falando de como a nossa psique se organiza em relação ao mundo: a Lua Branca atua no fortalecimento do “Ego Social” e na preservação da vida, enquanto a Lua Vermelha nos mergulha no “Inconsciente Coletivo” para promover a ruptura e o renascer.
Tópico 1: O Ciclo da Lua Branca (A Via da Nutrição)
A Sincronicidade: Você menstrua na Lua Nova e ovula na Lua Cheia.
Este é o ciclo em que o seu ritmo biológico caminha de mãos dadas com o ritmo da Terra. O arquétipo dominante aqui é o da Mãe (Ceres/Deméter). Quando o mundo externo está no auge da luz (Lua Cheia), você está no auge da sua fertilidade e irradiação.
- Foco: Criação, nutrição e expansão. Este ciclo é ideal para quem está focada em gerar vida (filhos) ou nutrir projetos que tragam harmonia para a família e para a comunidade.
- Visão da Constelação Familiar: A Lua Branca favorece o equilíbrio entre o “dar e o receber”. É um período em que a mulher se sente disponível para o sistema, sustentando os laços e garantindo a continuidade do fluxo da vida através do cuidado e da presença.
Tópico 2: O Ciclo da Lua Vermelha (A Via da Xamã)
A Sincronicidade: Você menstrua na Lua Cheia e ovula na Lua Nova.
Historicamente, este era o ciclo das curandeiras, rainhas e sacerdotisas. O arquétipo aqui é o da Feiticeira e da Anciã (Hécate/Lilith). É o ciclo da inversão: quando o céu está iluminado, você se recolhe para o seu próprio submundo.
- Foco: Autoconhecimento profundo, quebra de padrões ancestrais e ensino espiritual. A energia não é para o “outro”, é para a transformação.
- Visão da Apometria: Por que a sensibilidade explode aqui? Na Lua Cheia, a pressão energética externa é máxima. Quando você sangra (fase Anciã) sob essa luz, seus canais mediúnicos se abrem. O corpo astral fica mais flexível, permitindo limpezas profundas e a recepção de visões claras. É a mulher agindo como um “para-raios” espiritual.
Tópico 3: O Eclipse de Energias (Mapa Mental)
O encontro da sua lua interna com a lua do céu cria o que chamamos de Eclipse de Energias.
- Na Lua Branca: Há uma harmonia (Luz externa + Luz interna).
- Na Lua Vermelha: Há uma tensão criativa (Luz externa + Escuridão interna). Essa tensão é o que gera a “magia”.
“Por que meu ciclo mudou?”
Muitas mulheres se assustam quando o ciclo transita de uma lua para outra. A alma é sábia: o ciclo muda quando suas prioridades sistêmicas mudam. Se você passou anos na Lua Branca focada nos filhos e, de repente, seu ciclo vira para a Vermelha, sua alma está dizendo: “Agora é hora de olhar para o seu poder pessoal e para a sua missão espiritual”. É um chamado para deixar de ser apenas “mãe” e passar a ser “mestre”.
Tópico 4: Trazendo a Tenda Vermelha para o Dia a Dia
Recuperar a alma exige resgatar a nossa Tenda Vermelha no meio da rotina moderna. Não é sobre isolamento solitário, é sobre impor limites sagrados.
- Respeite o Ritmo: Na Lua Vermelha, você precisará de mais silêncio que o normal. Diminua a agenda. Na Lua Branca, use o auge da Lua Cheia para lançar ideias e celebrar.
- Inclua os Filhos: Não esconda seu processo. Explique: “Hoje a mamãe está na fase da Anciã. É o tempo do meu corpo descansar para ficar forte de novo”. Mostre para as crianças que a vida tem pausas. Se você está na Lua Vermelha (Xamã), ensine-as sobre a intuição e os sonhos.
Seu ciclo é a sua escrita mais sagrada. Entender se você caminha pela Via da Mãe ou pela Via da Xamã é o primeiro passo para parar de lutar contra si mesma e começar a fluir com o Universo.


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